
Arquitetos brasileiros poderão atuar na Argentina sem revalidar diploma
Muitos trabalhadores veem suas atividades profissionais delimitadas por território, ou melhor, por mapas políticos. No entanto, existem conhecimentos que podem ser válidos para além das fronteiras. Além disso, as trocas de informações, com base em experiências ou vivências, também tendem a favorecer a descoberta ou a inovação de soluções técnicas. Apesar disso, o reconhecimento profissional de arquitetos, por exemplo, sempre esbarrou em burocracias, revalidações acadêmicas demoradas e altos custos operacionais. Mas esta realidade pode estar mudando.
Recentemente, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e o Conselho Profissional de Arquitetura e Urbanismo da Argentina (CPAU) fecharam um convênio histórico para o reconhecimento profissional recíproco de arquitetos, embora temporário. De todo modo, este passo já foi considerado histórico, já que se trata de uma reivindicação que vinha sendo discutida havia duas décadas em conversas diplomáticas e institucionais. Especialistas acreditam que podemos estar diante de uma transformação no mercado de projetos na América do Sul.
A importância do acordo para reconhecimento profissional de arquiteto
O novo acordo entre Brasil e Argentina via CAU/BR e CPAU abre caminho para a circulação profissional de aproximadamente 300 mil arquitetos e urbanistas. Na prática, a iniciativa prevê que os trabalhadores poderão buscar oportunidades no país vizinho sem a necessidade de revalidar seus diplomas universitários. Essa mobilidade favoreceria, em tese, o Mercosul. A expectativa é que haja um maior intercâmbio entre empresas e instituições, facilitando a prestação temporária de certos serviços.
A atual iniciativa teve origem em uma articulação ampla envolvendo também o Paraguai e o Uruguai. Houve um entendimento de que o que estaria barrando essa mobilidade de profissionais até agora é a diferença entre estruturas responsáveis pela representação, registro e fiscalização dos arquitetos em cada país — hoje, sistemas não equivalentes. Por exemplo, o próprio Paraguai e o Uruguai não possuem conselhos que deem atribuições de registro e fiscalização como no Brasil e na Argentina. Entendeu o imbróglio?
O que o Brasil fez agora foi estruturar um modelo, em conjunto com os “hermanos”, que possa aproximar as entidades que possuem competências compatíveis. Em 2026, finalmente se encontrou um cenário para o reconhecimento profissional de arquiteto entre os dois países. Esse é o primeiro passo para ampliar a colaboração e criar novas oportunidades para trabalhadores do setor, incluindo melhores condições para intercâmbio de conhecimentos, experiências e serviços entre dois mercados.
A nova articulação mercosulina
Antes de detalhar melhor o acordo Brasil-Argentina, queremos destacar o atual cenário das instituições na região. Primeiro, saiba que existe uma complexa assimetria entre elas.
No Brasil, todos os serviços de regulamentação, orientação e fiscalização do exercício da profissão de arquiteto e urbanista ficam concentrados em âmbito federal pelo CAU.
Em contrapartida, a Federação Argentina de Entidades de Arquitetos, que tanto atuou nas últimas articulações para fechar o acordo com o Brasil, não detém a atribuição de registro. Por isso é que se recorreu ao CPAU de Buenos Aires para viabilizar o desenho do modelo bilateral. Esse modelo, agora mais bem refinado, poderá ser replicado em outras províncias de forte relevância arquitetônica, como Córdoba e Mendoza, além de abrir debates sobre futuras expansões para países como a Bolívia.

O que muda para os arquitetos brasileiros
Neste momento, a principal mudança prevista para os arquitetos brasileiros é a possibilidade de atuar, de modo temporário, na Argentina sem precisar revalidar o diploma universitário. Contudo, preste atenção no que dissemos: tal possibilidade não significa uma autorização automática e irrestrita para trabalhar. Para participar do convênio, os profissionais deverão atender às condições estabelecidas, cumprindo normas técnicas, éticas e urbanísticas vigentes no país receptor.
O futuro estratégico da arquitetura na América Latina
Esse movimento de novos convênios entre entidades de arquitetura na América Latina pode ser interpretado como um movimento estratégico sobre a importância do reconhecimento profissional de arquitetos sul-americanos. Ao unirem forças, países como Brasil e Argentina podem começar a desenhar a nova identidade criativa e tecnológica da produção arquitetônica da América do Sul. O momento é de estreitar parcerias e preparar as pranchetas digitais para uma nova era de integração e reconhecimento profissional de arquitetos e urbanistas.
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Fontes: CAU.
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