
Aeroporto dos EUA dobra de capacidade com madeira sem gastar mais energia e desafia a arquitetura tradicional
E se fosse possível dobrar a capacidade de um aeroporto sem aumentar proporcionalmente seu consumo de energia? Isso aconteceu em Portland, nos Estados Unidos. Os designers do escritório ZGF Architects optaram por usar madeira engenheirada para criar uma cobertura monumental, ampliar um terminal e, assim, reduzir os impactos ambientais de uma construção. Agora esse empreendimento se tornou referência para a arquitetura moderna, oferecendo lições importantes para quem projeta edifícios comerciais, corporativos e institucionais.

Uma cobertura de madeira engenheirada que virou referência
Na maioria das propostas para ampliação de terminais aeroportuários, a ideia apresentada de forma recorrente é o uso predominante de concreto e aço, o que pode resultar num aumento do consumo de energia. Mas o projeto para o Aeroporto Internacional de Portland, no Oregon, foge à regra. Foi possível dobrar a capacidade sem gastar mais energia. Como? Com madeira engenheirada, pré-fabricação e projeto digital.
Durante o último Seminário AsBEA-SP, realizado no âmbito do Modern Construction Show, em São Paulo, o arquiteto Bráulio Baptista, sócio da ZGF Architects, apresentou o caso. Ele compartilhou detalhes da obra, incluindo a construção de uma cobertura de cerca de 37 mil m², equivalentes a aproximadamente nove acres. Sua estrutura é composta por vigas de madeira laminada colada (glulam) e treliças de madeira, combinadas com um conjunto híbrido de aço e concreto em formato de Y. A trama tem 49 claraboias, que favorecem a entrada de luz natural nos ambientes internos, e remete ao dossel de uma floresta, com uma camada superior que protege o ecossistema abaixo.
A saber, a identidade arquitetônica da área de ampliação do Aeroporto de Portland foi inspirada nas paisagens naturais do estado de Oregon.

Como a tecnologia reduziu a complexidade da obra
Construção industrializada
A primeira lição que este projeto nos dá é que sistemas híbridos podem ampliar, além do que imaginamos, as possibilidades da arquitetura contemporânea, aproveitando as melhores características de cada material. O ponto provocativo neste caso é a possibilidade de dobrar a capacidade sem aumentar proporcionalmente o consumo de energia, alcançando uma redução de 50% no consumo energético por metro quadrado. Adotar um modelo de pré-fabricação ajudou a expandir o aeroporto sem interromper as operações, além de antecipar etapas e integrar componentes antes da montagem final.
Modelagem em 3D
Toda a modelagem da engenharia foi realizada em softwares como o Revit, seguindo a metodologia DFMA (Design for Manufacturing and Assembly), que contribuiu para reduzir o número de perfis únicos necessários por módulo e eliminar a necessidade de paredes de cisalhamento previstas para determinadas funções estruturais. Os desperdícios na fabricação e na montagem foram mínimos.
Estratégia ambiental e de logística
Outro detalhe que chama a atenção é a madeira engenheirada utilizada: a matéria-prima foi obtida a menos de 400 km do aeroporto. Esse fornecimento local, aliado à construção no próprio terreno, contribuiu para reduzir em 70% as emissões de carbono incorporado na edificação. E, para completar, o sistema de climatização e aquecimento é totalmente elétrico e conta com uma bomba de calor geotérmica de alta eficiência, além de vidros de alto desempenho. O ganho de eficiência alcançado é mesmo surpreendente!
Vale destacar que a grande cobertura de madeira engenheirada foi montada em uma área separada do sítio aeroportuário, longe do terminal. Depois, equipamentos de elevação suspenderam e deslocaram os módulos até a posição final, onde foram fixados às colunas. As claraboias e os componentes mecânicos já saíam instalados da etapa de pré-fabricação. No fim das contas, o que os arquitetos conseguiram criar foi uma estrutura leve, de excelente desempenho, capaz de suportar terremotos de magnitude 9,0 e que pode se mover independentemente dos edifícios abaixo.
A arquitetura biofílica e o conforto dos usuários
O Brasil discute pouco a engenharia com madeira engenheirada; porém, este é um sistema construtivo ideal para muitos empreendimentos. Claro que essa escolha depende de muitos fatores, incluindo as demandas de cada projeto. Mas esta arquitetura é notável não apenas por ter sido construída com um sistema de baixa pegada de carbono, mas também por prever o plantio de dezenas de árvores e outras espécies de plantas. Há até jardins suspensos junto às superfícies envidraçadas.
A iniciativa se relaciona à arquitetura biofílica, que incorpora referências naturais aos espaços construídos por meio da vegetação, da iluminação e dos materiais.
O que fica de ensinamento para os arquitetos brasileiros
Podemos concluir este artigo afirmando que este caso ensina aos profissionais brasileiros que não existe um sistema construtivo ideal para todas as situações. A escolha entre madeira engenheirada, concreto pré-fabricado e estruturas metálicas para a ampliação do Aeroporto de Portland levou em consideração, certamente, fatores como os vãos, os custos, os prazos, a disponibilidade de fornecedores, a manutenção e as exigências normativas.
Ampliar infraestrutura e reduzir impacto não são metas opostas!
Então, sim, a arquitetura precisa considerar a estética, mas ir além dela. Como vimos até aqui, ao combinar inovação estrutural, industrialização e eficiência energética, é possível ampliar a capacidade de uso e buscar menor impacto ambiental. Mas, se quisermos alcançar resultados semelhantes aos observados no caso de Portland, precisamos nos especializar na integração entre concepção, engenharia, fabricação e operação das construções desde as primeiras etapas do projeto.
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Fontes: Deezen.
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