
Conheça o projeto do primeiro edifício-árvore do Brasil em Balneário Camboriú
Ao fechar os olhos e pensar na figura de uma árvore, você pode pensar numa planta com vários galhos e folhas verdes. Imagine agora a arquitetura usando esse design como inspiração para a construção de um arranha-céu de concreto. Pois esta é a proposta apresentada pelo Fisher Group no International Architecture Awards, na edição de 2025, para o Auris Residenze, em Balneário Camboriú. Este será o primeiro “edifício-árvore” do Brasil. Confira todos os detalhes no artigo a seguir!
Um projeto que nasceu para ser diferente
Não é novidade que o mercado imobiliário de alto padrão de Santa Catarina segue batendo recordes, especialmente de altura. Mas os clientes não ficam hoje tão impressionados quanto antes com o luxo das arquiteturas, eles buscam inovação. Inclusive, a maioria valoriza mais as propostas que oferecem melhores condições de saúde, conforto ambiental e baixa densidade. É focado nesse público que o arquiteto italiano Marco Casamonti, do escritório Archea Associati, desenvolveu a proposta para o Auris Residenze.
A ideia é erguer uma torre de 131 metros de altura com o máximo de eficiência e tecnologia. O mais importante é que o projeto segue um conceito de design biofílico, ou seja, que procura aproximar as pessoas da natureza dentro dos espaços construídos. No caso deste arranha-céu, a proposta é oferecer mais espaço e menos disputa por elevadores e áreas comuns, e uma vivência que remete à sensação de morar mais perto do mundo natural, mesmo estando no coração de uma das cidades mais verticais do país.
A saber, o empreendimento terá quase 12 mil m² de área construída, apenas 26 apartamentos, um por andar, com unidades de, em média, 187 m², reforçando a proposta de baixa densidade e privacidade dentro de uma torre de grande altura. Além das unidades residenciais, o edifício contará com áreas de lazer (como academia, sauna, piscina, horta e espaço pet). A previsão de entrega é março de 2029.

As principais características do edifício-árvore de BC
A principal característica do Auris Residenze que gostaríamos de destacar neste artigo é a composição da fachada — em formato de torção voltada para o mar, com concreto aparente pigmentado em tom terracota —, com brises e jardins suspensos, que parecem até galhos de árvores. Somados à vegetação, esses “galhos” contribuem, de forma estratégica, para uma maior proteção solar e conforto térmico.
A engenharia dos jardins suspensos
É claro que a construção do primeiro edifício-árvore do Brasil tem seus desafios. Não é fácil para a arquitetura enfrentar as cargas incidentes em um arranha-céu. Neste caso, para estabilizar a estrutura, optou-se por executar uma contenção de terreno com uma parede diafragma durante a execução das 144 estacas profundas (133 delas com 60 centímetros e 11 com 50 centímetros de diâmetro). Se tudo der certo, os engenheiros desse empreendimento poderão atribuir o sucesso aos anos de pesquisa e desenvolvimento aplicados à construção.
Lembrando que a engenharia de fundação é, para a arquitetura, decisiva para viabilizar soluções estruturais e ambientais em cenários pouco usuais, como se vê em projetos no mercado brasileiro.

Eficiência ambiental interna
Além da aparência, o Auris foi concebido para incorporar soluções de desempenho ambiental. Segundo seus projetistas, o edifício, por sua arquitetura — sobretudo pelo desenho da fachada, que busca controlar a incidência solar —, teria capacidade de reduzir até 42% o uso de ar condicionado nos ambientes, enquanto a economia de energia elétrica pode chegar a 26%.
Além disso, foram previstas soluções para reaproveitamento de águas cinzas e pluviais para irrigação dos jardins e limpeza de áreas comuns. Também foram previstos sistemas de renovação permanente do ar em áreas privadas e compartilhadas, sensores para monitoramento da concentração de CO2, sistemas de filtragem de água e, por fim, infraestrutura para carregamento de veículos elétricos.
A proposta acompanha uma tendência internacional na qual sustentabilidade e bem-estar deixam de ser elementos secundários e passam a integrar o desempenho esperado de edifícios residenciais.
A saber, o projeto do primeiro edifício-árvore do Brasil já possui pré-certificação WELL, voltada a critérios de saúde e conforto, e LEED Platinum, referência global em desempenho sustentável de edificações.
O novo luxo na Arquitetura Brasileira
O primeiro edifício-árvore do Brasil pode redefinir o conceito de luxo — e até ostentação — na arquitetura nacional. O escritório Archea Associati aposta em bem-estar, privacidade e baixa densidade como novos símbolos de status para o mercado imobiliário de alto padrão em Balneário Camboriú. Para reforçar a ideia de um design biofílico, o escritório convidou o famoso botânico e paisagista Ricardo Cardim para assinar o paisagismo do empreendimento. O resultado busca integrar natureza, arquitetura e paisagismo com a sofisticação.
Arquitetura contemporânea + sustentabilidade + bem-estar
Se for concluído conforme o planejado, o primeiro edifício-árvore do Brasil poderá se tornar uma referência, inspirando outros projetos de arquitetura biofílica e fortalecendo uma nova tendência entre as construtoras do país. E, pensando bem, em uma cidade marcada pela disputa por altura, o Auris faz uma provocação sobre até onde nossas áreas urbanas podem crescer sem deixar a natureza para trás?
Leia Também: 5 Livros Essenciais Sobre a História da Arquitetura Moderna
Fontes: Pensamento Verde, Terra, PiniWeb, Sala da Notícia, Noticenter.
Nota de Imagens: As imagens utilizadas neste artigo pertencem aos seus respectivos proprietários e são empregadas aqui exclusivamente para fins ilustrativos e informativos. Caso você seja detentor dos direitos autorais de alguma imagem e identifique seu uso indevido, por favor entre em contato pelo e-mail paraleloaec@gmail.com para que possamos realizar a atribuição imediata do crédito ou a remoção do arquivo, conforme o seu desejo.
